Guia politicamente incorreto da filosofia pdf

 
    Contents
  1. Luiz Felipe Pondé
  2. PONDÉ, Luiz Felipe - Guia Politicamente Incorreto da Filosofia.pdf
  3. Guia politicamente incorreto da filosofia epub
  4. Luiz Felipe Pondé - Wikipedia

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Author:REGINALD BURLAGE
Language:English, Spanish, Portuguese
Country:Guatemala
Genre:Biography
Pages:622
Published (Last):25.04.2016
ISBN:593-4-46812-800-7
Distribution:Free* [*Register to download]
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Guia Politicamente Incorreto Da Filosofia Pdf

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Baixar em epub Baixar em pdf Baixar em mobi Ler Online. Uploaded by Dividido por temas, a Aproveite e compre Foram elencadas, Politicamente Incorreto da Filosofia — Ensaio de Ironia, de. Acesso em: 12 dez. Guia politicamente incorreto da filosofia. Luiz Felipe Filosofia na Alcova Showing 18 distinct works. Guia politicamente incorreto da Filosofia by.

Massacres, escravido os africanos j escravizavam seus irmos antes dos brancos e mais tarde os venderam aos rabes, que os venderam aos brancos , queimar e mutilar pessoas vivas, bruxaria como ferramenta oficial e de negcios da vida na Nigria, segundo o que ele relata, um homem pode perder o patrimnio se for acusado de fazer um trabalho contra algum que tenha poder suficiente para provar a queixa. Em Uganda, sacrifcios de crianas so quase to comuns quanto a fome, sempre foi.

No Gabo, vive-se no Neoltico. Enfim, todo mundo sabe disso, mas a mentira politicamente correta nega. E os muulmanos? O tema do fundamentalismo islmico uma constante no mal-estar contemporneo das relaes entre diferentes culturas. Independentemente do fato que pessoas no so iguais e que evidentemente a maioria dos muulmanos vive sua vida comum e cotidiana distante de intenes terroristas ou fundamentalistas ainda que a modernizao seja muito menor no mundo islmico e, portanto, um muulmano mdio tende a ser bem mais muulmano do que um ocidental cristo mdio cristo , h uma relao histrica recente entre fenmenos polticos violentos e alguns integrantes da comunidade muulmana internacional.

A tentativa de chamar o islamismo de religion of peace ridcula, uma vez que h elementos evidentes de risco de contaminao de muitos muulmanos por grupos radicais da mesma religio. Claro que todas as religies conhecidas j tiveram ou tm elementos de violncia em sua histria, mas, contemporaneamente, o islamismo tem, infelizmente, suprido a cota de terrorismo de modo mais frequente.

Achar que podemos transformar terroristas muulmanos em membros do partido democrata americano, como pensa o atual presidente dos Estados Unidos de origem muulmana Barack Hussein Obama, uma piada. Basta se perguntar como, por exemplo, eles aceitariam o casamento gay em seus pases.

Outro fator importante a relao entre a religio muulmana e o Estado nesses pases. Em muitos deles voc no poderia pregar a converso de um muulmano ao cristianismo porque crime, e o convertido seria considerado traidor.

Negar fatos como esses s dificulta a reflexo e a informao das pessoas com relao aos problemas contemporneos. Como disse acima, sempre bonitinho falar do outro quando ele s existe em minha cabea. Proporia uma estadia de alguns anos entre radicais islmicos para esses caras que acham que os radicais querem se sentar e conversar civilizadamente.

Inclusive as mulheres que ficam por a, posando de amantes do governo iraniano. Se pensarmos no que diz Edmund Burke sculo 18 sobre preconceitos, veremos que esses so mecanismos espontneos de reao moral.

Nesse sentido muito difcil vencer preconceitos. Principalmente quando se trata de pessoas que creem que sua religio deve reger o mundo e que quem no crer nela infiel e deve morrer. Essa relao se d por conta do medo que o romntico tinha do futuro do mundo e da sociedade do dinheiro, e por isso muita gente sonhava que os ndios, que vivem na Idade da Pedra, seriam melhores do que ns, ocidentais porque no viviam na ganncia em que ns vivemos.

Quando voc comea a pensar que tribos que no conheciam a roda at ontem, como alguns ndios brasileiros e alguns povos africanos, podem ser nossa esperana, poder acordar sendo um romntico idiota. Mas o que o politicamente correto tem a ver com esse romntico idiota? O filme Avatar de alguns anos atrs um exemplo ideal para entendermos o que um romantismo para idiotas.

No filme, a humanidade interesseira est destruindo uma civilizao de ndios azuis, os Naavis, que vivem num planeta cujo solo tem riquezas minerais. Ao final, alguns humanos unidos aos ndios azuis salvam a deusa natureza do planeta, expulsam os malvados humanos representantes da usura moderna e voltam a viver em contato com a natureza.

Cenas como as que mostram conversas com rvores, bestas-feras que se unem aos bons ndios azuis contra os capitalistas malvados ou os ndios azuis de mos dadas cantando sons mgicos ao redor de rvores emocionaram milhares de idiotas pelo mundo. Todo mundo sabe que quase ningum est disposto a viver como os ndios, mas comum gente boba ach-los superavanados com suas tcnicas mdicas do Neoltico. Abraar rvores no resolve nada, muito menos supor que poderamos voltar a viver em sociedades pr-escrita ou pr-roda.

A menos que mais da metade da populao mundial morresse, esses delrios no servem para nada. Da que o justo medo da modernidade e do mundo do dinheiro pode fazer de voc um retardado, como todo medo faz: corremos o risco de ficar em pnico e infantilizados. Mas o que caracteriza o retardamento mental abenoado pelo politicamente correto crer que voltarmos ao Neoltico nos salvaria das contradies do desenvolvimento da tcnica, fruto de nossos prprios esforos para superar nossos sofrimentos.

Para a praga PC, dizer que ndios so populaes prximas ao Neoltico um pecado capital, ainda que a maioria desses crentes apenas finja amor por eles. A relao entre o politicamente correto e a natureza revelado neste filme Avatar para alm apenas do tema do outro perfeito. A relao revelada tambm na sua face religiosa neopag. A ideia de que a natureza seja perfeita religiosa e primitiva.

Qualquer relao adulta com a natureza implica saber que ela gera e destri, e, nesse sentido, nossos ancestrais eram mais adultos do que os retardados contemporneos, pois cultuavam a natureza no porque viam nela uma pureza santinha, mas porque enxergavam o poder dos deuses ancestrais: beleza e crueldade.

Os idiotas romnticos de hoje em dia esquecem que cncer to natural quanto os passarinhos e pensam que a natureza seja apenas os passarinhos. Esse tipo de comportamento avana sobre crenas ligadas sade e nutrio, fazendo com que um dia, quem sabe, seja politicamente incorreto comermos animais.

Isso no est distante da posio de filsofos como Peter Singer e sua crtica ao especismo, termo cunhado para revelar nossos preconceitos contra os animais assim como contra os negros , porque no os reconhecemos como pessoas com direitos. Talvez este seja um dos tipos do politicamente correto mais de ponta: comer animal ser um dia proibido por lei se depender desses seguidores de Peter Singer.

Claro que no devemos maltratar seres por simples gosto a menos que voc seja menino, more no mato e no tenha muito o que fazer E mais: a cincia muito avana graas a testes com animais. Ser que esses caras esto dispostos a morrer de cncer mesmo que tenham a possibilidade de usar novas drogas?

Diro que sim, mas so mentirosos. O que se revela aqui o eterno carter retardado mental quando no mau carter apenas que o politicamente correto aplica a este tema da natureza e dos animais: a crueldade parte dos esquemas de sobrevivncia dos seres vivos, e no adianta projetarmos uma viso de pureza moral de ns mesmos, porque o mundo pararia de existir. O que suspeito fortemente de que esses caras apenas desejam passar a imagem de bonzinhos porque no gostam de comer carne.

Salta aos olhos que muita gente se faz de bonzinho em cima do discurso politicamente correto tipo save the whales. Parece-me difcil sobreviver se quisermos salvar tudo o que vive sobre o planeta. E o que mais espanta que justamente a tal da natureza a primeira a ser cruel, e eles parecem que no veem. Basta ver o canal Discovery para perceber que no existe a natureza politicamente correta, ela o oposto dessa praga.

Para eles, nem temos sexo, mas gnero. O que gnero, nesse caso? A teoria de gnero afirma que nossa sexualidade socialmente construda. Nada h nela de biolgica. Assim sendo, as sociedades constroem os gneros leia-se, os sexos na dependncia do poder das classes sociais ou dos grupos malvados da vez.

Claro, ao final, quem paga o pato sempre o homem heterossexual. Essa discusso incide diretamente sobre questes caras ao politicamente correto, desde as mais gerais at as mais especficas, como o patriarcalismo, para algumas feministas o culpado pela poluio e pelos erros do Big Bang csmico, ou o fato de que mulheres tm normalmente presso arterial mais baixa devido opresso patriarcal, e no a dados fisiolgicos bem conhecidos.

Mesmo a gravidez deve ser culpa do patriarcalismo. Aqui vale contar um fato real ocorrido comigo. Certa feita, sentado ao lado de uma amiga um tanto feminista infelizmente, porque ela at bonitinha, e feministas, normalmente, so azedas porque so feias antes de um debate do qual participaramos, vi com meus prprios olhos o quo absurdo pode ser o mau-caratismo do politicamente correto no caso especfico da sexualidade e das diferenas entre mulheres e homens.

Minutos antes de o debate comear, ainda sentados na plateia, ela se sente mal. Mos frias, tontura, mal-estar. Digo a ela que v ao ambulatrio da instituio porque deve ser presso baixa, fato comum nas mulheres que tm presso em mdia mais baixa do que os homens segundo todas as pesquisas mdicas conhecidas. Ela vai. Minutos depois volta se sentindo melhor, dizendo que era mesmo presso baixa e que depois de uns minutos deitada e uma pequena medicao melhorou.

Ao iniciar o debate, ela diz ao pblico como sou machista porque supus que ela, ao se sentir mal, e por ser mulher, deveria estar com presso baixa. Independentemente do fato de eu ter acertado o diagnstico os sintomas eram de presso baixa , e de que a presso mais baixa das mulheres uma constatao cientfica decorre de sua menor massa e metabolismo , ela insistia que tudo isso era mero machismo e ideologia patriarcal.

Resultado: as diferenas fisiolgicas so tambm fruto das construes sociais para as fanticas da teoria de gnero. Esse fato em si um diagnstico: como o politicamente correto afeta mesmo pessoas inteligentes e bonitas.

O que est pressuposto por trs da hiptese da minha amiga afetada por essa praga? Que eu sou machista, que a medicina machista, que os medidores de presso arterial so machistas, que os ambulatrios so machistas, enfim, que o tomo machista. A construo social se faz assim: nem a fisiologia biolgica, mas social e poltica. D sono, no? Para esses fanticos, homens e mulheres no existem da mesma forma que ces e gatos, mas so projetos ideolgicos. Todas as diferenas de temperamento, comportamento, expectativas e mesmo biolgicas so fruto do patriarcalismo.

Um bom antdoto contra o politicamente correto nesse campo o darwinismo. Mas, antes, uma breve explicao de como o darwinismo funciona. O mecanismo de seleo natural no pressupe qualquer inteligncia operando acima da matria e seus elementos.

No me interessa aqui a discusso do darwinismo com o criacionismo, portanto no vou entrar em reflexes cosmolgicas ou a teolgicas acerca da origem do universo. Meu interesse recai apenas sobre o que o darwinismo nos relata a respeito da psicologia evolucionista, ou seja, o mecanismo de seleo natural atuante no mbito do comportamento humano. A seleo natural opera a partir de dois conceitos bsicos: acaso e acmulo de design cego.

O acaso diz que o meio ambiente acaso, e a mutao do DNA tambm. A rigor, no darwinismo contemporneo, o que passa por seleo o DNA ou material gentico. Mutaes ao acaso ocorrem nesse material e so selecionadas pelos efeitos do meio ambiente. As mais adaptadas sobrevivem e levam prole, via reproduo, seu sucesso adaptativo. O verbo em ingls to fit. Por sua vez, o acmulo de design cego o processo atravs do qual a evoluo propriamente dita um conjunto especfico de material gentico vai sendo selecionado, e aquilo que dele for eliminado jamais voltar ao mercado da seleo natural, portanto, ao longo do tempo, um conjunto especfico de genes permanece desenhando designing uma espcie mais bem adaptada.

Por exemplo, sendo o Neandertal extinto, voc no pode ter um filho Neandertal. A histria da seleo natural no anda para trs, da a evoluo. Ao longo do tempo, a sensao de uma relao invisvel entre o material gentico adaptado e as demandas do meio ambiente na histria da seleo daquela espcie, da a impresso de que h um design projeto , mas ele cego ningum est olhando e organizando o processo.

No caso de comportamentos, apenas temos que adicionar a hiptese de que um comportamento ou um conjunto de comportamentos e regras de comportamento determinado por uma composio gentica bem-sucedida, por isso reproduzida nos descendentes. O exemplo clssico o que chamamos de moral: a moral como um todo se revelou como um sucesso adaptativo, porque todos os grupos humanos a tm mesmo que com variao de valores , e ela regra e acomoda as tenses dentro do grupo humano. Quando falamos em moral aqui, falamos em hbitos mesmo inconscientes a psicologia evolucionista trabalha com a noo de um inconsciente biolgico selecionado ao longo do tempo determinando a conscincia que foram bem-sucedidos e por isso passaram para a frente, at chegarem a ns.

Assim sendo, segundo o darwinismo, homens e mulheres tm caractersticas diferentes, herdadas pela seleo natural, as quais no so passveis de construo ou desconstruo social, como querem as chatas feministas, porque so frutos do inconsciente gentico herdado.

Mesmo que voc d uma boneca para meninos pequenos e os vista com roupa identificada como de meninas, isso no garantir uma menina feliz consigo mesma. Por exemplo, por que dizer para um homem que o filho a cara dele conta muito enquanto para a mulher nada acrescenta de essencial na sua relao com a criana? Por uma razo muito simples: a mulher no tem insegurana com relao prole, mas o homem tem, porque ele nunca tem certeza de que o filho seja seu e, se no se cuidar, pode acabar cuidando do filho do vizinho.

E a capacidade de uma mulher de mil anos atrs de ter um homem com ela era fator determinante para a sua sobrevivncia, principalmente quando grvida, por isso a importncia de ela se mostrar fiel a ele. Era assim na caverna e ainda o hoje mesmo mulheres independentes se sentem mal quando so mes solteiras e sozinhas, mesmo que as chatinhas digam o contrrio. A confiana na mulher chave essencial da relao de investimento na paternidade em famlia.

Os homens foram selecionados assim porque os ciumentos foram os que tiveram sucesso em garantir sua sucesso. Os desencanados so desencanados porque simplesmente no estavam nem esto interessados nela ou na prole deles. Mesmo hoje em dia, se voc for pedir a sua mulher para fazer um exame de DNA, o casamento acabar por conta desse pedido e voc ser mesmo um idiota em faz-lo.

Dizer para uma mulher que o filho a cara dela nada acrescenta em sua plena segurana quanto maternidade.

Dizer para um homem que o filho a cara dele significa que ele no cria filhos que no so dele e, para ela, que ela fiel portanto ela fica bem na fita. Homens e mulheres no agem assim porque querem, mas porque os que agem assim foram bem-sucedidos na manuteno da sua descendncia, e ela est aqui at hoje.

Isso a moral: homem que ama investe e inseguro, por isso precisa de sinais de fidelidade da mulher. Mulher que quer ser amada e se sentir segura se comporta de modo a ser vista como fiel, se ela quer o que as americanas chamam de homens keepers guardies ou bons partidos. A possibilidade de desenvolver amor pela parceira e pela sua cria foi um ganho adaptativo, porque o macho pode assim ter famlia somos um animal gregrio porque nossa cria custa caro, principalmente num meio ambiente onde podia ser comida toda hora por predadores , e a mulher pode assim ser menos vtima de predadores em funo da gravidez e do risco de morte no parto.

O nmero de fmeas ancestrais que morriam sozinhas muito jovens devido ao parto dado conhecido pela paleontologia. Ossos solitrios so encontrados, revelando a morte da jovem me e de seu beb, cercados pela solido e por predadores. Sendo assim, como Shakespeare j suspeitava em sua pea Otelo o grande mouro que destri sua vida por duvidar de sua amada Desdmona, como todo homem apaixonado , quanto mais um homem ama investe afetivamente em uma mulher, mais ele fica inseguro e ciumento.

Se seu namorado estimula voc a viajar sozinha, ele provavelmente a est rifando. E a mulher e o bando no podem abrir mo do macho investidor aqui essa palavra no significa meramente dinheiro , porque o meio ambiente no qual evolumos sempre foi extremamente perigoso. Por isso mesmo, uma fmea at hoje no suporta machos fracos, medrosos e pobres. O grande problema da fmea da espcie humana j h mais de dezenas de milhares de anos como sobreviver gravidez e lida com a prole.

Passar sozinha por ambas as coisas sempre foi m ideia, tanto fisiolgica quanto psicologicamente. A gravidez cara fisiologicamente para a fmea logo, o sexo tambm , e no para o macho. Tirar o macho do exlio meramente animal para a humanizao faz-lo amar, e no apenas transar foi um enorme ganho adaptativo da espcie. Mas machos frouxos e pobres no servem para keepers.

Logo, mulher gosta de dinheiro. O politicamente correto parece ser anticientfico. Mas, mais do que isso, ele faz mal para homens e mulheres porque atrapalha milhares de anos de seleo natural de comportamentos nos quais homens e mulheres se reconhecem. A presso pela crtica ao macho contamina as relaes porque, apesar de se falar muito hoje em dia sobre homens serem mais sensveis do que outrora, as mulheres que no suportam fracos s aguentam a sensibilidade masculina at a pgina trs.

Passou da, elas se enchem. A superao da praga do politicamente correto necessria em todos os campos do pensamento, mas nesse, talvez, mais do que em todos os outros, porque, sendo a vida sexual e afetiva uma das chaves do convvio humano, e sendo ela acima de tudo uma carga sobre as costas dos heterossexuais, embaralhar, falsamente, os papis masculinos e femininos pssimo para a vida cotidiana.

Isso nada tem a ver com negar a vida profissional das mulheres, mas sim com lembrarmos que mulheres so mulheres, e homens so homens, pouco importando o que as azedas queiram dizer. Claro que a sociedade impacta a sexualidade e seus modos de ao, mas dizer que no h nada no homem e na mulher ou na maioria esmagadora deles que tenha a ver com sua herana biolgica como negar a lei da gravidade dizendo que os corpos caem apenas porque a ideologia opressora persegue os corpos de menor massa.

Para terminar, um detalhe. Lembraria leitora que no adianta ficar nervosa porque os homens no erotizam a inteligncia das mulheres, enquanto as mulheres erotizam a inteligncia dos homens.

Fcil de entender: inteligncia no homem como dinheiro, uma forma de potncia. O homem apenas precisa da beleza da mulher e, se a amar, da sua fidelidade. Isso no precisa ser motivo de briga na humanidade, tem lugar para quase todo mundo. Uma das coisas que ganhamos quando vemos as coisas sob o ponto de vista darwiniano ou pr-histrico uma sensibilidade maior para refletir se os hbitos passados no teriam, afinal, algum sentido. No, no estou sendo cnico.

A beleza no um ponto isolado no espao, mas um gradiente e um conjunto de caractersticas fsicas associadas a traos invisveis da alma. Beleza atrai inveja, e, nas mulheres, beleza sempre fundamental.

Sendo assim, pode uma mulher usar sua beleza como forma de sobrevivncia ou ela deve buscar ser feia porque a maioria e, assim, ela estaria sendo politicamente correta? A mulher sempre usou sua beleza, provavelmente desde a caverna. E por razes bvias: a maioria esmagadora dos homens baba pela beleza feminina. A tentativa de fazer da mulher uma simples vtima do homem uma piada, pelo menos para os homens e as mulheres que tm experincia um do outro. Um dos erros crassos do feminismo, e que atrapalha a vida de muita gente, confundir problema de cadeia espancamento de mulheres com vida cotidiana.

A dificuldade do feminismo est em no delirar: uma coisa impedir que uma mulher dirija um carro, como em alguns pases muulmanos, outra coisa dizer que, se ela usa sua beleza para conseguir uma coisa, est sendo vtima de abuso de poder.

A afirmao chega a ser risvel com o tempo passei a suspeitar de que, sim, h uma pitada de mau-caratismo no feminismo e provavelmente porque suas lderes so, em grande maioria, feias e mal-amadas e por isso querem um mundo feio e infeliz para se sentir mais em casa. A maior inimiga da beleza da mulher a outra mulher, a feia.

Luiz Felipe Pondé

A condenao do uso da beleza feminina por parte das mulheres uma ferramenta das que no tm, por azar a beleza ainda um recurso contingente , acesso beleza, seja porque so feias, seja porque no caso dos homens , em sendo feio ou fraco , ele no pode pegar a beleza da mulher nas mos, beij-la ou penetr-la.

Claro que h sofrimento aqui, mas de nada adianta resolver o sofrimento negando um fato bvio: as feias tm raiva das bonitas. Talvez esta seja uma das maiores crticas que eu tenha contra essa praga: ao tentar resolver problemas centrais da vida, ela nos engana sobre a verdadeira gravidade deles. Como no caso dessa oposio beleza fealdade nas mulheres em todos ns, mas nas mulheres mais, pelas razes que descrevi acima, e porque, como sou homem e gosto de mulher, gosto de falar sobre elas , vidas so dilaceradas pela inveja da beleza numa mulher.

As feias, que so num certo sentido maioria e a regra, s aceitam uma mulher bonita quando esta j no mais to bonita. Beleza no s beleza, abundncia, fertilidade, fecundidade, enfim, signo de vida.

Sentir-se excluda disso por um simples azar por isso se gasta tanto dinheiro para corrigir esse azar di como uma espcie de condenao que perpetua a solido e a esterilidade. A beleza numa mulher me faz querer entend-la melhor, ouvi-la melhor, ser mais generoso com ela, mais justo, enfim, ser um homem melhor.

No se trata apenas de um desejo meramente animal se assim fosse, at seria menos danoso o mal que a praga politicamente correta gera ao negar a agonia da beleza no mundo devido inveja das feias. O alcance espiritual da beleza fato estudado pelas religies: o mal inveja a beleza do bem.

Mas, para alm ou aqum da dimenso espiritual, no h nada melhor no mundo do que uma mulher linda a fim de voc. Por isso melhor levarmos a beleza mais a srio. Radha student of the year full song mp4 video.

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A ideia de uma aristocracia competente dando ao homem comum uma vida menos terrvel evidente no pensamento de Maquiavel. J no sculo 20, uma filsofa russa exilada nos Estados Unidos, Ayn Rand, nos deu a melhor descrio do que seria uma tica aristocrtica das virtudes no mundo contemporneo e burgus. Sua monumental obra de fico A Revolta de Atlas uma distopia. Distopias so o contrrio de utopias que descrevem parasos futuros , pois descrevem futuros polticos e sociais terrveis.

A distopia de Rand descreve um mundo dominado pela mentalidade socialista, coletivista e por isso mesmo preguiosa. Na minha vida j tive a infeliz oportunidade de participar de vrias reunies na universidade, seja como aluno, seja como professor, nas quais estavam presentes muitas pessoas preocupadas com o coletivo e a igualdade, e nunca vi tamanha concentrao de pensamento a servio de tanta estupidez e nulidade.

Como dizia Tocqueville no sculo 19, autor do maior livro sobre democracia j escrito, Democracia na Amrica, a igualdade ama a mediocridade. Rand acerta em cheio quando mostra uma sociedade que s fala no bem comum e na igualdade entre as pessoas contra as diferenas naturais de virtudes entre elas, estas a servio do mau-caratismo, da preguia e da nulidade. Ao buscar destruir as injustias sociais, o mundo descrito por Rand destri a produtividade, fonte de toda a vida, paralisando o mundo.

Rand conhecida por seu realismo objetivo em tica. Para ela, uma pessoa corajosa, trabalhadora, inteligente, ousada produz a sua volta relaes humanas sejam elas econmicas, polticas, existenciais concretas que so teis, abundantes, produtivas. Por exemplo, coragem produz no mundo ganhos materiais para todo mundo.

Preguia e covardia produzem misria, mesquinhez, mentira. Isso mesmo: fora e coragem fazem as pessoas verdadeiras nas suas relaes, enquanto a ausncia de virtudes como essas as faz mentirosas e traioeiras. A distopia descrita por Rand a melhor imagem do mundo dominado pelo politicamente correto: inveja, preguia, mentira, pobreza, destruio do pensamento, tudo regado pelo falso amor pela humanidade.

Atlas aqui representa todos os homens e mulheres que carregam e sempre carregaram o mundo nas costas e que nos ltimos anos passaram a ser objeto de crtica pela esquerda rousseauniana.

Alguns trechos do livro podero fazer voc ter nuseas se for uma pessoa que sofre na pele a mentira dos preguiosos amantes da igualdade. Rand afirma que a maior parte da humanidade sempre viveu s custas de uma minoria mais capaz e mais inteligente.

Antes que algum leitor politicamente correto, com o mau carter que o caracteriza, tente dizer que isso fascismo, peo que me poupe.

Nada h de fascismo em Rand, apenas reconhecimento do bvio: poucos carregam muitos. Isso nada tem a ver com dio de raas, destruio das vtimas pelo contrrio, menos vtimas de pobreza existiro se existir mais gente produzindo riqueza ou outros croquetes ideolgicos. Uma das qualidades supremas de Rand ter percebido ainda em meados do sculo 20 que o mundo se preparava para desvalorizar aqueles mesmos graas aos quais os outros vivem, sob o papinho da justia social. Se ela tivesse conhecido Obama, vomitaria.

E esse convvio no fcil. Entre os dois, habita o que eu chamo de sensibilidade democrtica, um conjunto de caractersticas que vo alm do mero debate acerca das instituies democrticas, como poderes pblicos, partidos, eleies, plebiscitos etc. No se trata de falar mal da democracia, ela o regime poltico menos ruim. At onde os especialistas podem falar, precisamos viver em grupos para sobreviver, mas para isso fazemos concesses ao grupo em troca de alguma segurana.

Nesse sentido sou hobbesiano: o homem o lobo do homem, e o estado de natureza grosso modo , a maneira pr-poltico de vida, uma espcie de vida em bando do Neoltico devia ser bem pssimo. Por isso precisamos de organizao e poder. Dentro desse quadro de ausncia de opo de vida sem Estado poltico, a democracia o menos pior porque procura institucionalizar as tenses da vida em grupo, distribuindo os poderes de modo menos concentrado.

A tentativa de definir a democracia como regime de direitos ridcula porque no existem direitos sem deveres, por isso a ideia de que piolhos ou frangos tenham direitos comea a aparecer quando separamos direitos de sua contrapartida anterior, os deveres.

A praga PC costuma fazer essa separao por motivos de marketing poltico e ignorncia filosfica. Mas, independentemente de a democracia ser nossa melhor opo, h problemas nela, claro. Como dizia Tocqueville, a democracia tem impactos especficos nos humores, temperamentos, hbitos e costumes.

O que chamo de sensibilidade democrtica parte desses impactos. Uma coisa que salta aos olhos a tentativa de chamar qualquer um que critique a democracia de antidemocrtico.

PONDÉ, Luiz Felipe - Guia Politicamente Incorreto da Filosofia.pdf

A sensibilidade democrtica dolorida, qualquer coisa ela grita. Mas no me engano com ela: esse grito nada mais do que a tentativa de impedir crticas que reduzam a vocao tambm tirnica que a democracia tem como regime do povo. O povo sempre opressor, Rousseau e Marx so dois mentirosos.

Mesmo na Bblia, quando os profetas de Israel criticavam os poderosos, tambm criticavam o povo, que nunca foi heri de nada. Alis, o risco da tirania do povo j tinha sido apontado pelo prprio Tocqueville. As duas formas mais evidentes de tirania so a da maioria e a do dinheiro criador de uma aristocracia do dinheiro em lugar da de sangue. Para evitar esse risco tirnico, precisamos cuidar dos mecanismos de pesos e contrapesos da democracia suas instituies em conflito, mdia, instncias de razo pblica, como escolas, universidades, a prpria mdia, tribunais etc.

O povo sempre opressor. Quando aparece politicamente, para quebrar coisas. O povo adere fcil e descaradamente como aderiu nos sculos 19 e 20 a toda forma de totalitarismo. Se der comida, casa e hospital, o povo faz qualquer coisa que voc pedir. Confiar no povo como regulador da democracia confiar nos bons modos de um leo mesa. S mentirosos e ignorantes tm orgasmos polticos com o povo.

Mas, voltando a liberdade igualdade, principal tenso na democracia: segundo Tocqueville, no h como evitar essa tenso porque ambas so valores de raiz da democracia. Quando voc d mais espao para a liberdade, a tendncia de que a democracia acentue as diferenas entre as pessoas e os grupos que nela vivem.

Mas a liberdade a chave da capacidade criativa e empreendedora do homem. Quando voc acentua a igualdade, a democracia ganha em nivelamento e perde em criatividade e gerao de abundncia para as pessoas. O politicamente correto um caso clssico de censura liberdade de pensamento, por isso, sob ele, o pensamento pblico fica pobre e repetitivo, por isso medocre e covarde. Quando se acentua a igualdade na democracia, amplia-se a mediocridade, porque os covardes temem a liberdade.

Por exemplo, os regimes marxistas, assim como os fascistas de direita os marxistas so os fascistas de esquerda , reduziram o pensamento e a vida das pessoas ao nvel de um formigueiro. Mas a sensibilidade democrtica sofre quando se aponta a relao entre culto da igualdade e mediocridade. Essa questo toca fundo na natureza humana, que tende facilmente inrcia, a fim de garantir o cotidiano. Algo na natureza humana ama a mediocridade. Outra caracterstica problemtica da democracia sua vocao tagarela, como dizia o conde de Tocqueville.

Nela, as pessoas so estimuladas a ter opinio sobre tudo, e a afirmao de que todos os homens so iguais quando a igualdade deve ser apenas perante um tribunal leva as pessoas mais idiotas a assumir que so capazes de opinar sobre tudo.

E, como dizia nosso conde, Descartes filsofo francs do sculo 17 nunca imaginou que algum levasse to a serio sua ideia de que o bom senso foi dado a todos os homens em quantidades iguais o que evidentemente uma mentira emprica. O resultado que, se voc pe em dvida a capacidade igual entre os homens de ter opinies, a sensibilidade democrtica grita de agonia. Mesmo homens com diploma universitrio de engenharia, por exemplo, se julgam capazes de pensamentos profundos sobre o mundo, revelando como a universidade, ao se tornar um fenmeno de massa como dizia o filsofo espanhol Ortega y Gasset no sculo 20 , criou a iluso de opinies banais com ares cultos.

Uma coisa que nosso conde percebeu que o homem da democracia, quando quer saber algo, pergunta para a pessoa do seu lado, e o que a maioria disser, ele assume como verdade. Da que, no lugar do conhecimento, a democracia criou a opinio pblica.

Mas talvez a pior coisa da democracia seja o fato de que ela deu aos idiotas a conscincia de seu poder numrico, como dizia o sbio Nelson Rodrigues. Em suas colunas de jornais, o Nelson costumava dizer que os idiotas, maioria absoluta da humanidade, antes do advento da Revoluo Francesa, viviam suas vidas comendo, reproduzindo e babando na gravata.

Com a Revoluo Francesa e a democracia que a primeira no criou exatamente porque foi muito mais um regime de terror autoritrio , os idiotas perceberam que so em maior nmero, e de l para c todo mundo passou a ter de agrad-los, a fim de ter a possibilidade de existir principalmente intelectualmente.

O nome disso marketing. Todo mundo que pensa um pouco vive com medo da fora democrtica numrica dos idiotas. O politicamente correto uma das faces iradas desses idiotas.

O filsofo ingls Michael Oakeshott escreveu vrios textos criticando as utopias polticas criadas a partir do sculo Um deles, em especial, O nascimento do homem-massa na democracia representativa, dialoga com a intuio rodriguiana.

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Para ambos, a democracia sempre d a vitria aos idiotas porque so a massa. Oakeshott descreve o nascimento, ainda no Renascimento, de uma moda intelectual segundo a qual todos os homens seriam capazes de ser indivduos. O nascimento da noo de indivduo no Renascimento italiano j tinha sido apontado pelo historiador suo do Renascimento Jacob Burckhardt no sculo O autor suo chegou mesmo a descrever em sua obra o fato de muitos burgueses pagarem a escritores em condies financeiras ruins para escrever sobre suas vidas, enaltecendo seus feitos.

Nas palavras de Burckhardt, a inteno era criar a noo do que hoje chamamos de ter uma personalidade prpria e especial. Claro que h uma relao importante entre o nascimento da noo de indivduo e o surgimento da burguesia, a classe que define seu prprio destino pela competncia de cada um, e no pela mera herana de sangue.

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Com a runa da sociedade rural feudal, quase imvel, os burgueses criam o valor da individualidade competente e responsvel por si mesma, uma espcie de caso histrico do homem criador de seus prprios valores, como na utopia nietzschiana do super-homem. Entretanto, quase todos fracassam na empreitada, porque o mundo sempre hostil individualidade, que fonte de valor para si mesma.

O argumento de Oakeshott que quase ningum indivduo de fato isto , quase ningum tem uma personalidade autnoma e ativa, e di ter uma personalidade assim , por isso a regra repetir o que a maioria faz, mentindo-se sobre o fracasso da individualidade verdadeira.

Ao contrrio de Kant, no sculo 18, que sonhava com uma sociedade de homens cada vez mais maduros a maioridade kantiana igual capacidade de tomar decises por si s, ou seja, autonomia , Oakeshott suspeitava que tomar decises por si mesmo era a maldio de poucos. O politicamente correto adora dizer que a democracia feita de cidados conscientes e que todos so capazes de tomar decises autnomas, numa espcie de kantismo barato.

Para Oakeshott, ser um indivduo implica solido e inseguranas que a maioria das pessoas simplesmente no suporta e, por isso, desiste. Mas, como a democracia faz a propaganda da autonomia do indivduo como lastro dela mesma, acaba sendo hbito mentirmos sobre o fracasso da autonomia em escala poltica.

Mas, se parasse por a, menos mal. Oakeshott dir que todos os indivduos fracassados odiaro os verdadeiros indivduos, caando-os pelo mundo porque eles resistem massificao necessria para a operao da democracia moderna. Ao contrrio do que se diz, a democracia no opera pela autonomia, mas sim pela massificao crescente das opinies, como j dissera Tocqueville.

Aquele indivduo fracassado indivduo manqu rapidamente se transformar em anti-indivduo e homem-massa, comprando modelos de personalidade que a mdia vende e seguindo lderes autoritrios ou populistas que afirmaro a autonomia para todos como se a autonomia fosse uma espcie de bolsa-famlia para toda a populao. O indivduo verdadeiro sofre a perseguio mais descarada, porque ele sim vive a dureza de ter uma personalidade ativa e por isso mesmo acaba sendo um ctico com relao s promessas de autonomia para as massas.

No fundo, o indivduo fracassado e o homem-massa invejam a liberdade do indivduo verdadeiro porque ela lhes parece um luxo. Na realidade so primitivos demais para entender a maldio que ser indivduo e a dor que ser livre sem pertena a bandos.

O encontro de Tocqueville, Nelson Rodrigues e Oakeshott evidente: o idiota raivoso fala sempre com fora de bando e, na democracia de massa em que vivemos, ele sim tem o poder absoluto de destruir todos os que no se submetem a sua regra de estupidez bem adaptada.

Quando o outro no cria problema, no h nenhum valor tico supremo em toler-lo. E, quando cria, quase sempre ningum o tolera. Veja, por exemplo, os eventos para dilogo inter-religioso. A discusso no pode durar mais do que meia hora, e logo devero servir os drinks e os croquettes, porque mais do que meia hora implicaria comear a falar a srio sobre as diferenas entre as religies as religies no querem todas a mesma coisa, isso conversa de mulherzinha.

Imagine cristos e judeus conversando sobre suas religies. Cristos assumem que Jesus foi o Messias que os judeus esperavam e tambm que Ele Deus , e, portanto, os judeus teriam perdido o bonde da histria ao no reconhecer Jesus como Messias. Por sua vez, os judeus pensam que os cristos pegaram o bonde errado ao assumir que Jesus foi o Messias. Logo, conflito. Melhor tomar drinks e comer croquettes. Muulmanos so lindos, ndios so lindos, a frica linda, canibais so lindos, imigrantes ilegais so lindos, enfim, todos os outros so lindos.

Uma das reas mais amadas pela praga do politicamente correto a chamada tica do outro, ou seja, uma obrigao de acharmos que o outro sempre legal. Outro aqui significa quase sempre outras culturas ou algo oposto a Igreja, Deus, heterossexual, capitalismo ou arrumar o quarto e lavar o banheiro todo dia. Evidente que conviver com o diferente essencial numa sociedade como a nossa, assolada pelos movimentos geogrficos humanos, mas da a dizer que todo outro lindo falso e, como sempre acontece com o politicamente correto, desvaloriza o prprio drama da convivncia com o outro.

Existem dois filsofos muito ligados a esta causa da tica da alteridade o que no quer dizer que eles carregam em si a praga do politicamente correto , nome tcnico para o frisson do amor a todos os outros.

Um deles Martin Buber, e o outro, Emmanuel Levinas, ambos do sculo 20 e ambos judeus. Buber afirmava que as relaes no devem ser pautadas pelo binmio eu-isso, mas eu-tu. Tanto faz se o outro for uma pessoa, um animal ou a natureza. A ideia em si muito boa como elevao do padro tico nas relaes no mundo, claro que s vezes impossvel, porque o mundo funciona na lgica das trocas de interesses e de possibilidades de interesses, e a natureza humana est mais para o Prncipe do Maquiavel do que para o Pequeno Prncipe.

J o Levinas, mais recente, afirmava que o rosto do outro, uma espcie de frmula para falar de qualquer outro e todos os outros, deve pautar as relaes humanas, o que muito prximo, resumindo a pera, da posio de Buber.

Para Levinas, no devemos querer saber o que as pessoas so ou para que elas servem, mas sim que so pessoas, e esse tipo de relao o modo de Deus operar, porque Deus o rosto do outro. Filosofias como essas sustentam o direito da existncia do outro no plano das relaes humanas e acabam por ser banalizadas no papinho de que o outro sempre legal e bonitinho por isso alguns filsofos profissionais consideram Levinas filsofo de mulherzinha.

Esse um problema que acomete as ideias abstratas e universais como esta: a realidade sempre menor ou maior do que ideias e, por isso, nunca igual s ideias. Grande parte da crtica que fazem filsofos como Nietzsche sculo 19 e Plato sobre essa tendncia a descrever mal o mundo porque o fazemos desde um ponto de vista ideal e no real. O problema da idealizao do outro em nosso mundo contemporneo pior porque somos saturados de outros pessoas que vivem e pensam de modo estranho e quase sempre desagradvel para ns em toda parte: nos condomnios, no metr, no nibus, no trnsito, no cinema, no aeroporto.

Quando os outros esto longe, do outro lado do oceano, bonitinho amar todos os outros, mas, quando eles tm cheiro e hbitos outros, a coisa complica. A crtica bobagem de o outro ser lindo no implica a defesa da destruio do outro, mas sim encararmos os impasses que a convivncia com o outro gera para a filosofia e para a vida. O pecado capital da praga PC sempre dourar a plula, no mnimo. Em sociedades promscuas culturalmente, como as do capitalismo avanado, em que pessoas se misturam no metr e nas lojas, o outro est sempre ao seu lado e s vezes, na hora do rush, pisando no seu p ou tomando seu lugar no nibus ou a vaga no estacionamento.

Mas pode ficar pior. Muitas pessoas gostam de dizer que as diferenas culturais so lindas, mas isso nem sempre verdade. E que d para viver sempre em paz. Eu gostaria que isso fosse verdade. Imagine que voc mora em Londres, cidade saturada de outros.

Imagine que voc seja uma pessoa legal e sem preconceitos. De boa vontade, inclusive. Agora imagine que voc tem uma filha educada nos padres bsicos ocidentais de um cristianismo relaxado e secularizado, isto , sem muitos salamaleques religiosos, e que voc seja um crente na ordem pblica pautada pela liberdade de crena ou descrena. Sua filha, ento, comea a namorar um muulmano No precisa ser um radical extremista Como seria?

No precisa imaginar questes muito complicadas sobre escolha entre Jesus e Maom, pense apenas na educao dos netos, nos papis masculinos e femininos, na vida profissional da sua filha, na relao com os ancestrais, nos calendrios religiosos No sou contra casamentos interculturais, falo apenas da falsa facilidade com a qual se levam discusses como essas. Transtornos culturais se resolvem mais facilmente quando as pessoas envolvidas no do muita bola para rituais e crenas especficas e aceitam a pasteurizao contempornea dessas crenas.

Luiz Felipe Pondé - Wikipedia

No limite, a dissoluo de qualquer grande pertena cultural ou identidade cultural marcante. Se tomar como identidade cultural esse jeito blas de ser dos ocidentais secularizados, voc poder ter algum conflito, mesmo que no seja um crente em sistemas religiosos de fato, se tiver que dividir o futuro dos seus filhos e netos.

Se for um crente no respeito ao outro, como acho que devemos ser na realidade, voc provavelmente descobrir que a maioria esmagadora desses outros de que o politicamente correto fala no d muito valor a respeitar outro algum.

Esse problema tpico da cultura ocidental e de sua herana crist e iluminista. A maior parte do islamismo no est nem a para esse papinho de respeito ao outro. A marca infantil, na melhor das hipteses, do politicamente correto revela, mais uma vez, sua alma inconsistente. Vejamos o problema da frica. Um antdoto excelente ler V. A frica que brota dos relatos de suas viagens a infeliz condio neoltica do continente, mesmo antes da devastao realizada pela colonizao europeia.

Massacres, escravido os africanos j escravizavam seus irmos antes dos brancos e mais tarde os venderam aos rabes, que os venderam aos brancos , queimar e mutilar pessoas vivas, bruxaria como ferramenta oficial e de negcios da vida na Nigria, segundo o que ele relata, um homem pode perder o patrimnio se for acusado de fazer um trabalho contra algum que tenha poder suficiente para provar a queixa.

Em Uganda, sacrifcios de crianas so quase to comuns quanto a fome, sempre foi. No Gabo, vive-se no Neoltico. Enfim, todo mundo sabe disso, mas a mentira politicamente correta nega. E os muulmanos?

O tema do fundamentalismo islmico uma constante no mal-estar contemporneo das relaes entre diferentes culturas. Independentemente do fato que pessoas no so iguais e que evidentemente a maioria dos muulmanos vive sua vida comum e cotidiana distante de intenes terroristas ou fundamentalistas ainda que a modernizao seja muito menor no mundo islmico e, portanto, um muulmano mdio tende a ser bem mais muulmano do que um ocidental cristo mdio cristo , h uma relao histrica recente entre fenmenos polticos violentos e alguns integrantes da comunidade muulmana internacional.

A tentativa de chamar o islamismo de religion of peace ridcula, uma vez que h elementos evidentes de risco de contaminao de muitos muulmanos por grupos radicais da mesma religio. Claro que todas as religies conhecidas j tiveram ou tm elementos de violncia em sua histria, mas, contemporaneamente, o islamismo tem, infelizmente, suprido a cota de terrorismo de modo mais frequente. Achar que podemos transformar terroristas muulmanos em membros do partido democrata americano, como pensa o atual presidente dos Estados Unidos de origem muulmana Barack Hussein Obama, uma piada.

Basta se perguntar como, por exemplo, eles aceitariam o casamento gay em seus pases. Outro fator importante a relao entre a religio muulmana e o Estado nesses pases.

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